IMENSIDÃO

A natureza é sábia.

Nos dá o sol, a chuva, estrelas, lua, fauna e flora, belezas em por do sol, raios e trovões, mares, lagos, águas que se transformam em ondas, gelo, quedas d'água que nos presenteiam com arco-íris. Nos dá dias e noites, nos dá a dimensão do que somos diante dela: figurantes em seu cenário.
A natureza é avassaladora com seus terremotos, tsunamis, furacões, tempestades, avalanches e nos mostra quão impotentes somos diante de sua fúria.
Sabemos que temos que nos curvar e admitir a fragilidade humana.
A natureza é uma força incontrolável e inesperada, trapaceia as previsões da ciência que quer domá-la. Exerce seu poder transformador e muda o que quiser, sem nenhuma chance de controle.
Fazendo parte da natureza, também temos nossos dias de fúria, de lago tranquilo, de terremotos existenciais, de geleiras sólidas, de estrelas cadentes.
A lua nos determina ciclos, as estrelas nos apontam caminhos.
A microscópica situação humana é irrelevante diante de tamanha força.
É só isso que sou, um grão de areia sem nenhuma importância.
E, só por isso, tento inventar meu mundo, construir minha natureza.
Assim, quem sabe, encontre um outro mundo, construído por outra pessoa, onde seja possível descontrolar as marés.
E deixar que as águas rolem, que o tempo mude, que a árvore cresça, que o ar envolva.

ALERTA.



Insônia, 

inapetência, 
taquicardia,
ansiedade,
pensamento obsessivo,
sudorese,
estômago habitado por borboletas,
tensão,
stress.

Definitivamente, amar faz mal à saúde.

PEDRA SOBRE PEDRA.




                             "No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho..."
                                                                       Carlos Drumond de Andrade.

E, apesar disso, temos que prosseguir.
Tropeçando, pulando, pisando, desviando, retirando, ignorando, valorizando, cada um escolhe como lidar com as dificuldades que surgem.
Eu, particularmente, paro e lido com ela.
Em alguns casos, é pura perda de tempo, em outros é parada obrigatória.
Há casos em que as pedras são colocadas como armadilhas, um teste de resistência.
Quando a pedra é muito grande, pode fazer estragos consideráveis.
Mas como fingir que ela não está ali? Não consigo, tenho que me deter diante dela.
Pedras grandes demandam mais tempo, a remoção é mais demorada.
Mas, como água, vou de encontro à ela, suavemente, até tirar-lhe as arestas.
Envolvo-a em um abraço, até penetrar nela, criando fragilidade, porosidade.
Enfrento de dentro prá fora, mergulho na escuridão, buscando a fresta de luz que me guiará prá sair do outro lado.
Só assim, consigo remover a pedra no meu caminho.
Não digo que é fácil, digo que é necessário.
Não aceito que pedras bloqueiem minha estrada, mas não ignoro.
Vou catando pedras como quem cata feijão.
Cozinhando as dificuldades, me alimentando de soluções.
Assim é a vida, entre pedras, até encontrar um diamante.
Uns acham, outros perdem, a maioria não consegue distinguir o que é um e o que é outro.
Não sou gemólogo, não tenho facilidade de reconhecer um diamante, mas não descarto as pedras, recolho-as, guardo-as, se não tiverem valor, coleciono-as.
Assim como debulha-se o trigo, garimpo pedras, não importa o tamanho, sempre terão serventia.
Ao menos, me provarão que não me acovardei diante do mais forte.
E me lembrarei sempre que, antes de Carlos Drumond, Fernando Pessoa dizia:
"Pedras no caminho? Guardo todas. Um dia, vou fazer um castelo..."

CURTO CIRCUITO.








Que nome dar ao que sinto?
Que coisa que desaquieta deve de ter nome.
Como chamar esse tic tac na cabeça,
bomba armada com precisão de tempo?
Meu coração taquicardiado, precisa de explicação.
Se desse nome ao que sinto, daria definição.
Meu sangue se aligeira na veia, corre sem destino,
depressa demais pro meu entendimento.
Meu corpo tenso,
procura essa palavra que vai trazer a descontração.
Mas que palavra é essa que me falta?
Quais letras tem precisão de dar as mãos e formar a resposta?
No vasto leque de emoções, a todas já dei nome.
Nenhuma é a que sinto.
Olho prá frente e enxergo o dentro, isso tem que ter nome.
Sigo adiante, em linha reta, mas meu eu ziguezagueia prá trás,
vivo voltando ao antes.
Apuro os ouvidos, meu escutar está fraco, só escuta uma voz.
Essa, sim, tem nome.
Mas não é desse nome que falo,
esse eu já sei quem é.
Sei que quem provocou esse sem nome,
foi esse que nome tem.
Tudo foge ao meu controlar,
preciso achar esse nome,
esse oculto, esse que vai clarear.
Esse nome escapa do dicionário,
que já li que nem bula de remédio.
Procurei nas entrelinhas, nos efeitos colaterais,
esse nome se esconde só prá me agoniar.
Minha pele me rejeita,
não quer o meu tocar.
Minha boca não se abre ao falar,
falo com o pensamento, ninguém consegue escutar.
E tanto pensamento, não consigo dar vazão,
eles embaralham as idéias,
vão prá lá e se arrependem,
voltam prá cá e não se entendem.
Andam brigando por espaço,
amontoadas em meu pensar.
Meu entendimento está sem pernas, não avança,
desaprendeu a lógica.
Que a lógica só vai voltar,
quando o nome que busco, descobrir minha cabeça.
Acho que esse nome se perdeu dentro de alguma gaveta
ou entre as dobras da coberta em que me escondo de mim.
Se eu não achar esse nome, se ele se perder do meu sentir,
se o nome que sei, não der nome ao que eu não sei,
então sou caso perdido.
Vou ter que viver com o achamento
que essa coisa sem nome só acontece em mim,
porisso nem nome tem.
Então, vou batizar o sem nome com o teu.
Aí, o sentimento vai ter definhação.

ACORDA!!!

                                                                               

 Narcolepsia é um distúrbio do sono que causa sonolência excessiva.

E AQUELE CASAL APROVEITA A OCASIÃO PARA TER UMA CONVERSINHA TIPO DISCUTIR A RELAÇÃO.QUE SACO!!!

- Vou te pedir um favor - investe a mulher ameaçadoramente.
- Fala, coração -arremata o cara já sentindo que la vem problema!
- Pra começar, tenho nome, odeio essa coisa de " docinho, amor, benzinho".
- Não sabia, desculpe.
- Agora, já sabe.
- Não vou dar mais apelidos carinhosos mas, depois, não reclama.
- Se eu quiser reclamar, reclamo, sim.
- Credo, que bicho te mordeu? Acordou do lado errado da cama?
- Acordei com dois pés esquerdos e não enche o saco que !
- Qual é? Tá de TPM?
- Tô, mas é Tensão Pós Matrimônio.
- Mas nós não somos casados!
- Exato. 
- Não entendi.
- Parece que estamos casados há séculos! - retruca a mulher incendiada!
- E... lá vamos nós. Despeja, vai.
- Tá vendo? É disso que eu estou falando.
- Filha de Deus, me dá uma pista, não tô entendendo nada.
- Não conversamos mais, não namoramos mais, agora tudo é menos.
- Mas não é assim mesmo? Com a relação mais estável, a gente relaxa e acalma.
- Acalma, nada, estamos no piloto automático faz muito tempo cara.
- Tá bom, o que você quer?
- Não se trata do que eu quero, não quero nada.
- Peraí, fiquei perdido.
- Novidade.
- O que você quer dizer com isso? Que eu sou sem noção? É isso?
- Tô dizendo que você precisa de um GPS pra te mostrar onde você está!
- Tô aqui, em pé, na cozinha, com você, porra!
- Tá vendo? Você é visceral,mercurial e se irrita com qualquer coisa!
- Para com os rodeios, diz logo qual é. E quem tá irritada é você.
- É você!
- Eu o quê?
- Lembra o que você fez, ontem à noite?
- O que eu fiz?
- Não lembra?- insiste a mulher querendo ir aos amagos dos fatos!
- Pelamordedeus. Eu lembro que cheguei antes de você, tomei banho, liguei a televisão enquanto te esperava, vi um jogo qualquer e você chegou - pronto relembrou aquele homem agora amedrontado.
- Depois ...
tô falando de quando eu já estava em casa, não me interessa o que você fez antes, mas depois, DEPOIS!
- Não grita que eu não sou surdo.
- Mas só ouve o que quer.
- Olha só, se você quer me acusar de alguma coisa, fala logo. Não vou ficar tentando acertar a loteria.
- Enquanto EU preparava o jantar, EU dava um jeito na casa, EU servia a mesa, EU lavava a louça, você dormia como um porco no sofá!
- Tava cansado. É crime? E não sou porco.Sou bem limpinho e você sabe disso!
- Cansado do que?
- Cacete, trabalhei o dia inteiro.
- E eu? Ah, é, tinha esquecido, seu trabalho é mais importante do que o meu.
- Isso tudo é porque cochilei?
- Não, isso você faz todo santo dia.
- Isso o que? Dormir a qualquer hora ou essa outra coisa que não sei o que é mas isto desencadeia um processo que me irrita demaaaaaaiiiiiiis!
- Desisto, meu coração ....desculpe, minha mulher .Ou você desembucha, ou paramos por aqui.
- Paramos o que? A conversa ou a relação?
- Tudo tem que ter dois lados, ou isso ou aquilo? Não dá pra ser mais simples?
 Facilita aí, vai.
- Facilito, sim. Lembra que eu disse que ia te pedir um favor?
- Quando?
- Hoje, agora. Antes de dizer bom dia.
- Você não deu bom dia.
- Pois é, meu bom dia foi "vou te pedir um favor". Na realidade, não vou te pedir nada, vou é dar uma ordem.
- Como disse? Você vai me dar uma o que?
- ORDEM!  Tem mais, ou você acata ou roda.
- Tô com a sensação que vou rodar, porque nem minha mãe me dá ordem. Mas, diga lá, só pra conferir.
- Digo, sim, e preste bastante atenção: quando estiver muito cansado, o que vem acontecendo com frequência, não encoste insinue que iremos começar a fazer sexo e portando, não comece nada. 
- Tem a ver com transar comigo? Eu não estou transando legal, minha querida?
- Tem a ver com transar sim e você pegar no sono.
- Quer dizer que não posso dormir depois de transar?
- Depois pode, não deve é DURANTE e EM CIMA de mim!
- Tá bom, eu fico embaixo, assim você não reclama.
- Tem toda razão seu descarado, dissimulado,metido a engraçadinho.
- Não tenho?
- Tem, meu caro. Sabia que a porta da rua é a serventia da casa? Então "roda" e vai roncar e dormir no meio-fio e tomara que chova todo os dias!!!

                                                                          

O PATO E A FORMIGA



                                                      (Contribuição de uma leitora revoltada,anônima!)
Pato!
Finalmente, descobri a origem do homem.
Não estou me referindo a raça humana, falo do gênero masculino.
Alguém já reparou que o homem espirra água pra todo lado?
No banheiro, por exemplo. 
Quando escovam os dentes, o espelho recebe as rebarbas de água com pasta de dente.
Ao fazerem a barba, o entorno da cuba fica ensopado de creme de barbear, pelos e, claro, água.
O chão, também, recebe seu quinhão quando lavam o rosto ou as mãos.
Chuveiro é pouco pra reter a água do banho, sobra sempre para o lado de fora, de preferência, fora do tapete.
Até o vaso sanitário parece pequeno pra eles, pinguinhos esguicham para fora do limite e gotejam direto para o chão.
Tem coisa pior na vida do que entrar no banheiro após ter sido usado por um homem?
Às vezes, tentam nos ajudar com a louça que se avoluma na pia. Começam lavando a louça e terminam escorregando nas poças que se formam no chão da cozinha. 
A pobre da pia vira uma lagoa prestes a transbordar.
Parece que não têm percepção do rastro que deixam, que são cobertos de penas impermeáveis, é só se sacudirem que ficam secos e o que estiver em volta encharcado.
Quem não tem um espécime em casa? Seja pai, marido, namorado, colega, algum deles já passou em nossas vidas.
Não há coisa mais irritante do que ter que secar as enchentes sempre que se aproximam de qualquer coisa líquida. É como enxugar gelo. Você vira as costas e, pimba, lá vamos nós, de novo, limpar a lagoa que o patinho deixou.
Depois de extensa pesquisa, exaustiva análise, estudos avançados, cheguei a conclusão que o gênero masculino é desprovido de sensibilidade à água.
Eles até tocam nela, mas ela bate neles e é repelida como se batessem em vidro, escorre ou se espalha sem que o dito cujo perceba a tsunami que provoca.
Uma amiga diz que é porque o homem tem quem limpe sua sujeira, que é cultural. A mulher se dispõe, desde priscas eras, a cuidar da casa e do seu animalzinho de estimação.
Vem cá, se eu tivesse um animal pra cuidar, com certeza seria um de quatro patas, não uma ave de duas.
Reparem bem, o pato sempre se sacode e espalha a água ao seu redor, já que suas penas não as retém.
O pior é que não há jeito de treinar o patinho, seu cérebro não registra "não espalhar água". É tarefa impossível!
Quando leio que água é um bem finito, que há que se economizar, que vai faltar, que o desperdício vai acabar com ela, tento fazer minha parte. Mas de que adianta tanta preocupação se, ao entrar no banheiro, vejo exatamente o contrário. Se quando olho prá pia e para o chão vejo litros dela se espalhando, à toa.
Tenho pesadelos, sonho que vou acordar e estarei boiando na piscina que se tornou minha casa.
E acordo gritando: "olha a água!".
Comecei a desenvolver a "síndrome de final de semana". É quando o trabalho triplica, porque eles vão ficar mais tempo em casa, consequentemente, mais água pra secar.
Sexta feira já começo a rezar pra que aquilo termine logo.
E se reclamo, ainda sou implicante. Mas se não limpo sou relaxada.
Trabalho só aparece quando não é feito. Se você mantém tudo limpo e organizado, não tem do que reclamar. Só que as coisas não se fazem, são feitas.
A roupa não se limpa sozinha, alguém as lava. As camas não são feitas quando você pisca os olhos e o pó não desaparece quando mexe o narizinho.
Casa é trabalho eterno e desgastante porque, além de não ser valorizado, não aparece quando é feito.
E essas avezinhas, tão bonitinhas, são as maiores causadoras do stress.
Na outra encarnação quero ser "pato".
Cansei de ser formiga.